Aquele jogo de futebol já estava me irritando. Me levantei, desliguei a TV e saí. Assim mesmo, sem rumo.
O almoço do dia das mães tinha sido ótimo - com direito a muita paparicação à minha queridíssima mãe - e, como sempre, todos foram fazer a sesta. Menos eu. Era cinco da tarde de um domingo frio. O que é que tem de bom pra se fazer num fim de tarde de domingo? Nada. Então resolvi dar uma volta.
Descendo as escadas, passei pela síndica - uma mulher do mal - que, quando me viu, lançou um olhar do tipo "aonde esse moleque desnaturado vai?" ou "esses jovens de hoje em dia não respeitam mais nem as mães".
Deixei a senhora fofoqueira com seus pensamentos pecaminosos a meu respeito e continuei andando. Quando dei por mim, estava naquela rua que tem um monte de trailers - com várias mesas e cadeiras de bar - onde só toca forró. Decidido a dar meia volta, parei, surpreso. Em uma das mesas havia um casal de surdo-mudos conversando. Pela idade e semelhança, deviam ser mãe e filho. Fiquei fascinado com a alegria e a empolgação com que conversavam - através da língua de sinais, claro. Eles pareciam estar realmente muito felizes.
Já havia passado uns quarenta minutos quando meu celular tocou (confesso que levei um leve susto). Era o Flávio, meu melhor amigo, me chamando para uma festa.
E é lógico que eu fui.
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