segunda-feira, 29 de maio de 2006

Parte 4 (Barzinho)

Saí correndo da editora. Eu já estava atrasado.
A minha sorte é que a estação do metrô não era longe.
Cheguei vinte minutos atrasado. O Fernando não estava lá.
Será que ele ainda não chegou? Ou será que já foi embora? Eu já estava ficando preocupado.
A resposta veio dez minutos depois:
- Oi. Desculpa o atraso.
- Tudo bem, eu também acabei de chegar - revelei.
- Tá mó trânsito!
Ficamos alguns segundos olhando um pra cara do outro, sem falar nada. Fiquei reparando um pouco mais nele: vestia um tênis bem moderno, uma calça jeans e uma camiseta muito bonita, de surfista, bem esporte. Eu, que tinha ido direto do serviço, vestia uma roupa mais social. Os olhos dele pareciam mais claros e o cabelo agora raspado fazia-o parecer mais moreno.
Depois de um tempo, ele quebrou o silêncio:
- E aí, o que vamos fazer?
- Não sei. Do que você está a fim?
- Ah, sei lá. Qualquer coisa.
- A gente pode ir num barzinho, pode ir no cinema... - sugeri.
- Vamos num barzinho, então.
O barzinho estava praticamente vazio, afinal era uma segunda-feira. Sentamos e pedimos uma cerveja. Depois outra, depois outra e depois outra.
Conversamos bastante. O suficiente pra saber que ele tem 23 anos (dois a menos que eu), trabalha em uma empresa de telemarketing e que vai pra balada quase toda semana. Também falei bastante sobre mim. Muito mais do que ele, na verdade.
Já era quase dez horas da noite e a conversa estava muito interessante.
- Que horas são? - ele perguntou, ao me flagar olhando para o relógio
- Dez horas.
- Nossa! Já?
- Já.
- Anota meu celular pra gente marcar de se ver de novo.
- Você já me deu o número do seu celular - lembrei.
- Não. Eu te dei o número errado.
- Por quê?! - fiquei surpreso com a informação.
- Eu nunca dou meu número certo no primeiro encontro.
- Ah! Por isso que eu não consegui te ligar hoje cedo - concluí.
- Prefiro eu ligar pra pessoa pra marcar um segundo encontro. E se eu gostar da pessoa, eu dou o número verdadeiro.
- Será que não é outro número falso? – provoquei.
- Não, é o certo. Pode ligar agora pra confirmar, se quiser.
- Não, não precisa. Acredito em você.
Anotei o número no meu celular, pagamos a conta e voltamos pra estação do metrô.
- A gente se fala, então – ele começou a se despedir.
- Posso te ligar pra gente marcar alguma coisa?
- Me liga no fim de semana. A gente pode ir pra alguma balada, o que você acha?
- Acho uma boa idéia. – concordei, sorrindo e achando a idéia maravilhosa, na verdade.
- Vou esperar você ligar então.
- Ok. Te ligo sem falta - prometi.
- Beleza, então.
- Vai lá.
- Falou aê.
- Falou.