quarta-feira, 15 de junho de 2005

Parte 2 (Festa)

A festa era na casa de um colega de trabalho do Flávio. E as festas para as quais ele me convida costumam ser muito boas.
Levei uns trinta minutos pra chegar. A festa estava meio chata: tinha pouca gente, a música não era das melhores e fazia muito frio. Serviu, ao menos, pra ver gente nova e bater um papo com meu velho amigo - o que eu não fazia havia algum tempo.
Enquanto colocávamos os assuntos em dia, mais e mais pessoas foram chegando, a música melhorou consideravelmente e o álcool da cerveja já tinha nos esquentado um pouco, ou seja, a festa de repente ficou boa.
Levantamos e fomos dar uma olhada no pessoal. O aniversariante veio até nós e o Flávio nos apresentou. Ele parecia ser um cara legal, apesar de um pouco bobo. Deixei os dois trocando figurinhas sobre trabalho e fui ao banheiro. Senti que um par de olhos me vigiava. Ao voltar – propositalmente pelo mesmo caminho – notei que o par de olhos continuava me acompanhando. Curioso como sou, virei o pescoço para identificar o dono dos olhos perseguidores: era um cara alto, magro, moreno, de olhos claros e de cabelo escuro e arrepiado. Fiquei por alguns segundos parado, observando (quase babando), até que uma mão sacudiu meu braço:
- Posso saber com quem é o flerte? – era o Flávio, engraçadinho como sempre.
- Com o bonitão ali, encostado, de camiseta cinza.
- Nooossa!! Bota bonitão nisso, hein!
- Ele ficou me olhando quando eu fui no banheiro. Agora eu tô olhando pra ele pra ver se rola alguma coisa.
- Quer que eu vá falar com ele?
- Não. Deixa eu ficar olhando mais um pouco.
- Bem que me disseram que ia ter alguns caras interessantes nessa festa - Lembrou Flávio.
- É, realmente tem.

sexta-feira, 10 de junho de 2005

Parte 1 (Domingo)

Aquele jogo de futebol já estava me irritando. Me levantei, desliguei a TV e saí. Assim mesmo, sem rumo.
O almoço do dia das mães tinha sido ótimo - com direito a muita paparicação à minha queridíssima mãe - e, como sempre, todos foram fazer a sesta. Menos eu. Era cinco da tarde de um domingo frio. O que é que tem de bom pra se fazer num fim de tarde de domingo? Nada. Então resolvi dar uma volta.
Descendo as escadas, passei pela síndica - uma mulher do mal - que, quando me viu, lançou um olhar do tipo "aonde esse moleque desnaturado vai?" ou "esses jovens de hoje em dia não respeitam mais nem as mães".
Deixei a senhora fofoqueira com seus pensamentos pecaminosos a meu respeito e continuei andando. Quando dei por mim, estava naquela rua que tem um monte de trailers - com várias mesas e cadeiras de bar - onde só toca forró. Decidido a dar meia volta, parei, surpreso. Em uma das mesas havia um casal de surdo-mudos conversando. Pela idade e semelhança, deviam ser mãe e filho. Fiquei fascinado com a alegria e a empolgação com que conversavam - através da língua de sinais, claro. Eles pareciam estar realmente muito felizes.
Já havia passado uns quarenta minutos quando meu celular tocou (confesso que levei um leve susto). Era o Flávio, meu melhor amigo, me chamando para uma festa.
E é lógico que eu fui.